segunda-feira, 14 de junho de 2010

Revolução Francesa vol. 1 (O povo e o Rei) e 2 (Às armas, cidadãos), de Max Gallo


Comprei o volume I do livro do Max Gallo por pura curiosidade, ao passar pela livraria Saraiva. Tinha decidido ler mais não-ficção esse ano e a Revolução Francesa parecia um tema bastante interessante para começar. Mas aí, ao abrir o livro pra ver do que se tratava, não resisti: o estilo é narrativo, parece mais um romance ou uma reportagem que um livro de história, embora trate de fatos rigorosamente históricos. Não demorei nada a me decidir por ele.

E a leitura não decepcionou. No início da leitura senti que o narrador parece muito condescendente com a figura do rei D. Luis XVI, mas ao fim do primeiro volume concluí que seu papel foi somente o de nos conduzir junto com o rei pelas suas decisões políticas e as consequencias de cada uma delas. Max Gallo nos desenha um Luis XVI que buscava ser virtuoso e também buscava agradar ao povo, mas tudo dentro dos limites de uma cultura que crê no direito divino da realeza. Contudo, era um rei suscetível, muito influenciado por sua esposa e seus ministros, e muito lento nas decisões. O reinado de Luis XVI é dramático, é o início da narrativa ainda na sua adolescência tende a nos mostrar como a coroa lhe foi mais uma maldição que uma benção, mais uma imposição de sua classe que a realização de um desejo, a conquista de algo a que se ambicionava. Interessante notar nesse volume a sua relação com o povo. Do amor ao ódio num período curtíssimo de tempo, embora os primeiros atos desse drama indicassem que a imagem do rei dificilmente poderia ser mudada frente ao povo. Derrubou-se a Bastilha, odiava-se a rainha - a "estrangeira devassa"-, os sucessivos ministros, mas a adoração ao rei persistia, apesar de tudo.

A criação dos clubes - principalmente dos jacobinos e girondinos -, a força que estes foram adquirindo, foram minando com uma rapidez impressionante o poder e o prestígio do rei. A descoberta de sua conspiração em conjunto com os emigrados e a sua tentativa de fuga para o estrangeiro frustrada em Varennes era a munição que os "defensores do povo e da liberdade" precisavam; estava selado o destino do rei e da revolução.

O primeiro volume é feito com uma narração vigorosa, de tirar o fôlego, sendo os acontecimentos encadeados de maneira a envolver o leitor por horas de leitura sem cansar.

Infelizmente não tive a mesma impressão com o segundo volume. Talvez seja apenas uma impressão pessoal em razão da repetição demasiada, mas necessária, das condenações em massa  à morte na guilhotina durante a vigência do terror jacobino, sob a liderança de Robespierre, e depois do terror branco, empreendido por aqueles que o condenaram à guilhotina de que tanto se serviu. Penso que me cansaram também as muitas intrigas nas quais se envolveram os republicanos na busca pelo poder e não o estilo do autor em si. No entanto, quando aparece a figura de Napoleão Bonaparte, a narrativa ganha novamente força e agilidade, tornando a leitura interessante.

Indico a leitura dos dois volumes, principalmente a leitores não habituados à livros de história convencionais, pois, embora estejam ausentes no texto a reflexão sobre a profundeza das mudanças ocorridas no período, a apresentação no gênero narrativo desperta o interesse e a própria revolução é um tema empolgante.