quarta-feira, 14 de abril de 2010

Revolta, de Márcio Souza

Ao contrário do que acontece nos dois primeiros volumes da tetralogia, o narrador-personagem Maurício Vilaça não é alguém que está diretamente envolvido nos assuntos políticos do Grão-Pará, sequer acredita que a província terá sucesso com a revolta que depois seria chamada de cabanagem. Ele foi desenvolvido na forma de diário, como os anteriores, e creio que Márcio Souza poderia ter consumido menos páginas, ou até nenhuma, com as aventuras sexuais do protagonista. Por vezes parece mais um livro pornográfico que ficção histórica. Aparte isso, o livro mostra como Belém se tornou um caos depois da depoisição e morte do governador Lobo de Sousa, como a turba de negros e tapuias usou as armas para se vingar dos brancos, saqueando suas casas, matando, violentando suas esposas e filhas. Mostra toda a revolta de um povo que permaneceu anos subjugado e padecia com a miséria, fome e humilhação diárias. Não foi muito diferente do que aconteceu na França revolucionária, com a diferença de que esta tinha um projeto político, o que faltou aos cabanos. Em contraste a esse clima de vingança, o autor mostra o povoado do Cacoalhinho, onde um grupo de desterrados se organizou em volta da cabocla Elvira, sua líder informal, produzindo seu próprio sustento e vivendo alheio ao alvoroço da Belém revolucionária. Pulando as cenas de sexo, vale a leitura. A não ser que elas também interessem ao possível leitor.

PS: Fico devendo anotações dos três anteriores a esse: Farenheit 451; Desordem ; e Revolução Francesa - vol. 1 - O povo e o rei. Pretendo postar até semana que vem. Até breve!