quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Quando Nietzsche Chorou - Capítulo 20

Em nova conversa, Nietzsche ajuda finalmente Breuer a enxergar nitidamente além de sua obsessão por Bertha. Em síntese: medo da morte, desejo de conforto e de agradar a platéia (a sociedade).

Chama-me a atenção agora como o pai, no microcosmo da família, pode significar os olhos da sociedade e de um "tempo", de um contexto histórico-social vigiando sobre o indivíduo. Breuer não escolheu ser médico diagnosticador, casar-se, ter filhos; foi escolhido para exercer esse papel pelo seu pai - sua platéia particular a quem ele reportava todas as suas conquistas - e pela sociedade, que lhe impôs o caminho a ser trilhado.

A seguir Nietzsche apresenta ao seu interlocutor o conceito do eterno retorno. Suportaria ele (suportaríamos nós) viver(mos) eternamente o que se vive no momento presente?

A questão é: nossa principal platéia individual deve ser a nossa consciência, a única que merece nossos maiores esforços para ser satisfeita. Sob esse prisma, o eterno retorno se torna um conceito prático, simples.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Quando Nietzsche Chorou - Capítulo 19

Bem, até agora eu nunca cultivei o hábito salutar de fazer anotações sobre os livros que estiver lendo. Diante de um livro tão estimulante quanto este e sobretudo depois de ter lido um ensaio do Schopenahuer sobre erudição, resolvi iniciar - ou ao menos tentar - essa prática. Infelizmente já estou no capítulo 19, próximo do fim, mas a experiência deve valer mesmo assim.


Primeiro é preciso mencionar como neste ponto o livro une de maneira ainda mais estimulante do que nos capítulos anteriores o método psicanalítico e a filosofia nitzscheana. Confesso que nunca havia me ocorrido a ideia de psicanálise como uma espécie de filosofia pessoal do autoconhecimento capaz de tornar possível a máxima que o personagem Nietzsche repete ao longo do romance: Torna-te quem tu és! Neste capítulo, Breuer descobre os significados de sua obsessão por Bertha e compreende com maior clareza o que Nietzsche vinha falando sobre substituí-la por pensamentos superiores. É uma tentativa de mostrar a como a psicanálise pode nos ajudar a trilhar o caminho do autoconhecimnento, libertando-nos dos subterfúgios que encontramos para não viver a vida que queremos ou não nos tornarmos quem queremos ser.

Algumas frases marcantes:

Viver de maneira segura é periogoso.
O tempo não pode ser rompido: esse é nosso maior fardo . Nosso desafio é viver apesar desse fardo.
Amamos mais o desejo do que o ser desejado.

A culpa é do alemão

O primeiro culpado do nascimento desse blog é alemão e passou por esse mundo há quase dois séculos atrás. Tive a ideia a partir da leitura do livro de ensaios selecionados de livros do filósofo Schopenhauer entitulado A Arte de Escrever. No primeiro dos ensaios ele faz uma dura crítica às pessoas que fazem do conhecimento apenas um meio para conquistar notoriedade, dinheiro, influência ou qualquer outra coisa. Para ele, o conhecimento válido é apenas o de quem faz da busca dele um fim e não um meio. Mais importante que ler muito, acumular informações, é produzir um conhecimento próprio, ouvir a sua própria verdade ao invés de se curvar ao conhecimento produzido por outros.

Baseado nisso, resolvi pensar em quão produtivas estavam sendo minhas leituras. É claro que não fiz até hoje de minhas leituras, predominantemente literárias, meio pra alcançar qualquer coisa, sequer o conhecimento. Havia encarado tudo, embora inconscientemente, apenas como entretenimento, passatempo, mais por falta de maturidade intelectual do que por qualquer outro motivo.

A partir dessa cosntatação e baseado na experiência de alguns amigos, resolvi ter o meu caderno de anotações de leitura, no qual eu relato minhas impressões, questionamentos e conclusões a respeito da leitura. Ainda estou no início dessa experiência e posso dizer que tem sido bastante proveitosa para mim, de modo que resolvi dividir com quem estiver disposto a ler as minhas impressões sobre os textos que porventura eu vir a ler, com o objetivo de também receber nos comentários visões diferentes da minha.

A quem visitar esse espaço, sinta-se à vontade e por favor, deixe também as suas impressões